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domingo, 24 de agosto de 2014

Tucuruí: Epidemia viral mata 4 crianças Assurinis e atingi mais 120, na aldeia Trocará













  

WELLINGTON HUGLES
De Tucuruí
Foto: Wellington Hugles

Quatro crianças foram as vítimas fatais da epidemia viral que alastra a população infantil da etnia Assurini, na aldeia Trocará, localizada as margens da Rodovia BR 422 (Transcametá) distante cerca de 25 km da zona urbana de Tucuruí, sudeste do Pará.

Segundo informações das lideranças indígenas dos Assurinis, desde o último dia 11, diversas crianças apresentaram distúrbios, com insuficiência respiratória, febre alta e complicações nos órgãos, evoluindo para dispnéia paroxística noturna.

Em função à distância para os hospitais da região, e a falta de atenção básica que deveria ser realizada preventivamente pela Prefeitura de Tucuruí, Governo do Pará e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), braço do Ministério da Saúde para a atenção a saúde dos indígenas, as crianças estavam sendo tratadas na aldeia, mas em função a evolução da doença, de forma rápida, foi transferida para o HRT de Tucuruí.

Inicialmente as crianças enfermas foram atendidas no Polo de Saúde Indígena (Posto de Saúde), localizado na Aldeia Trocará, mas, tudo de forma improvisada, em função a falência da saúde indígena, que está com a falta de equipamentos médicos, transporte de pacientes, ambulâncias e medicamentos.

A enfermeira responsável pelo polo, Keise Helaine Pinto, orientou a liderança indígena o Cacique Kajungawa, que realizasse a internação imediata das crianças suspeitas de pneumonia, no hospital da cidade, em função a evolução rápida dos casos, que agravam a noite e se instalam no organismo das crianças em apenas 24 horas.

Óbitos - Na manhã da última quarta-feira (20), o primeiro bebê foi internado no Hospital Regional de Tucuruí (HRT), com um quadro clínico de complicações respiratórias, segundo os médicos que atenderam a criança de apenas um mês de vida, seu quadro demostrava uma suspeita de metapneumovírus, infelizmente a criança foi a óbito no final da noite, sendo descartada pelos médicos, após os resultados dos exames, sua morte por pneumonia.

Na quinta-feira (21), outro bebê de apenas dois meses, também foi internado as pressas no HRT, com o mesmo problema de saúde, insuficiência respiratória, febre alta e complicações nos órgãos, falecendo no final da tarde. Os dois casos foram comunicados a Sespa e ao Departamento de Infectologia do município de Tucuruí, preocupando a direção do hospital, que realizou inúmeros exames preventivos nas vítimas, para poder entender as causas que levaram a morte, sendo descartado a priori, um surto de H1N1 ou coqueluche, mas o resultado oficial deverá ser anunciado em até 30 dias.

Na sexta-feira (22), mais uma criança de nove meses foi trazida da aldeia Trocará, e internada no HRT, seu estado clínico necessitava de cuidados emergências, sendo inclusive, solicitada ao setor de regulação do Governo do Pará, a transferência da criança através de UTI Aérea para a capital, mas sendo negada a autorizada da transferência pelo setor de regulação da Sespa.

A equipe médica do HRT fez todo o possível para tentar salvar a vida da criança, que já estava bastante debilitada, infelizmente o bebê também foi a óbito na manhã do sábado (23).

Os corpos das duas primeiras crianças foram entregues aos familiares, estranhamente sem passarem por necropsia pela equipe do IML de Tucuruí, sendo os corpos sepultados na tarde da sexta-feira (22), no cemitério indígena localizado na aldeia Trocará.

O corpo da criança de nove meses, que faleceu no sábado (23), no HRT, em Tucuruí, foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Belém, onde passará por necropsia, sendo ainda colhido material para biopsia, para que sejam identificadas as causas que estão ocasionando as mortes das crianças indígenas dos Assurinis. 

Epidemia – Na manhã do sábado (23), mais duas crianças foram levadas para internação no HRT, em função aos óbitos ocorridos com as outras, a direção determinou a transferência imediata para Belém, mesmo sem a liberação do transporte aéreo que deveria ser garantido pelo Governo do Estado, a prefeitura municipal disponibilizou uma ambulância do SAMU 192, que além das duas crianças enfermas que estavam no HRT, mais quatro outras crianças, que estavam em estado crítico na aldeia Trocará firam levadas para Belém.
Infelizmente durante a viagem, mais um bebê de quatro meses foi a óbito, aumentado para quatro as vítimas do surto viral, ainda não identificado.

Na noite do sábado (23), por volta das 23 h, a ambulância com as crianças indígenas e seus pais, chegou a Belém, elas foram levadas inicialmente para o PSM da 14 de Março, sendo atendidas pelo médico pediatra de plantão, observando a complexidade dos casos, e sem leito para suas internações, e o óbito de uma delas durante a viagem, encaminhou para a Unidade de Diagnóstico de Meningite (UDM) do Hospital Universitário João Barros Barreto.

O Hospital Universitário João Barros Barreto (HUJBB), informou em nota, que mesmo sem leitos disponíveis, conseguiu a internação imediata dos enfermos. Duas crianças estão na ala pediátrica, duas na Unidade de Diagnóstico em Meningite (UDM) e uma em um quarto de isolamento do Programa de Tuberculose Multirresistente (TBMR). A outra que chegou morta foi levada para o IML da capital.

Como as crianças indígenas estão com suspeita de H1N1, foi necessário o isolamento preventivo.

Proliferação – O domingo foi de grande movimentação na aldeia Trocará, que fica a 22 km da cidade, desde as primeiras horas, os 600 indígenas residentes, receberam uma equipe da Secretaria de Saúde de Tucuruí, que colheram material para os exames de H1N1 e Coqueluche, que deverá ser diagnosticado em até 30 dias.

Nesta verificação, cerca de 110 crianças foram identificados com a febre viral, os sintomas são os mesmos observados nas crianças vítimas fatais: insuficiência respiratória, febre alta e complicações nos órgãos.

Preventivamente os índios afetados, foram orientados a evitar sair no sol, e terem contatos com as outras crianças e adultos saudáveis. Máscaras foram distribuídas para evitar a proliferação da doença.

No único Posto de Saúde da aldeia Trocará, durante a manhã deste domingo, nenhum medicamento estava disponível para a manutenção da saúde dos enfermos, nem mesmo na rede básica de saúde da Prefeitura de Tucuruí, foi necessário à prefeitura realizar em caráter de urgência, a compra direta de uma quantidade de remédios em uma rede de farmácia da cidade, para suprir a necessidade do tratamento emergencial e preventivo dos suspeitos de estarem infectados.

Segundo informações de Waita Assurini, sobrinho do Cacique Kajungawa, a última epidemia viral na aldeia Trocará, ocorreu em 2003, onde foram registrados inúmeros óbitos de crianças e adultos. “Nossa preocupação é que, sem a manutenção da saúde indígena, que está falida através do modelo adotado pela Sesai-MS/Funai. Nossa comunidade Assurini, fica a mercê de todas as doenças e epidemias, sem um tratamento adequado e medicamentos que garantam nossa imunização”.

Outra situação que preocupa os indígenas, e a incidência da entrada de inúmeras pessoas de fora, em nas suas reservas, que são localizadas na zona rural, “culminando com a entrada de doenças e sua proliferação, trazidas pelos visitantes da zona urbana, vírus estes que se instalam rapidamente no organismo desprotegido dos indígenas, colocando em risco à saúde, em função a fragilizada, em se comparada a dos moradores da cidade”.

Transferência – A situação dos indígenas na aldeia Trocará, já está em estado de alerta, a população moradora está em polvorosa, na noite deste domingo (24), por volta das 21 h, mais uma ambulância com cerca de 5 crianças indígenas e seus pais, saiu as pressas da aldeia, em direção a capital, distante 450 km, em busca de socorro, em função ao quadro de saúde desesperadora dos bebês.

O HRT único hospital do estado na região, especializado em média e alta complexidade, está sem condições de receber estes pacientes, em função as suas limitações para este tratamento, sendo a única e viável opção, a transferência via rodoviária dos pacientes, haja vista, a recusa do enviou de UTI Aérea para os pacientes indígenas, que necessitam de ir à busca de uma alternativa para salvar as vidas das crianças indígenas da etnia Assurini.

É necessário que a Secretaria de Saúde do Pará juntamente com a de Tucuruí e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), tomem decisões urgentes para equacionar a proliferação desta epidemia, que está alarmando a comunidade indígena, e preocupando os mais de 110 mil habitantes de Tucuruí, que também poderão estrar em risco, se confirmada à epidemia, através desta febre viral, que já é considerada pelos infectologistas fatal.



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