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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tucuruí: Maternidade ou matadouro municipal, mãe perde bebê e denúncia negligência



 O natimorto João Vitor durante o velório 


As marcas nos braços da parturiente, após a "sessão de tortura" e a morte de seu filho

WELLINGTON HUGLES
De Tucuruí
Foto: Wellington Hugles

O casal João Luiz Magalhães e Querliane dos Santos procurou a equipe de jornalismo para denunciarem as inúmeras irregularidades que estão ocorrendo dentro da Maternidade de responsabilidade da Prefeitura de Tucuruí, que funciona há quase três anos dentro de uma ala cedida temporariamente pela direção do Hospital Regional de Tucuruí, para que neste período fosse realizada a reforma do prédio do Hospital Municipal (antigo Sesp), e que mesmo após este período sequer foi aberta licitação para as obras.

Segundo a parturiente Querliane dos Santos, 29 anos, moradora da Rua Assis de Vasconcelos no bairro da Matinha, em Tucuruí, sudeste do Pará, mãe de dois filhos, um que foi concebido de parto normal e outro através de cirurgia cesariana, esclareceu que nos últimos oito meses estava residindo no município de Marabá, onde realizou rigorosamente seu pré-natal, com acompanhamento total da equipe médica, e que em função a sua mãe morar em Tucuruí decidiu vir ter seu bebê próximo a assistência de sua genitora, para cuidar de seu resguardo.

A preparação – Com exatamente 40 semanas de gestação, ou seja, 9 meses, a parturiente estava já nos dias para dar a luz ao seu filho, passado três dias dos 9 meses, Querliane dos Santos, procurou uma residência próximo a Rua Lauro Sodré onde funciona de forma precária e sem estrutura o Posto de Saúde da Família da Matinha, que teve seu prédio próprio fechado a mais de dois anos por motivo de reforma.

Ao conseguir ser atendida, a enfermeira orientou que sua gestação estava normal, e que seu parto teria que ser feito através de cirurgia cesariano.

Passado dois dias, Querliane começou a sentir dores, e na noite do último dia 29 de janeiro teve início um sangramento, foi quando decíduo procurar socorro na maternidade municipal no prédio do Hospital Regional de Tucuruí (HRT) na Vila Permanente, distante 7 km do centro da cidade, onde foi atendida pela primeiramente pela enfermeira Claudia, que deu início aos procedimentos de trabalho de parto, com a análise da dilatação do colo uterino.

Na mesma hora, a parturiente Querliane dos Santos, informou que todo o seu pré-natal e a orientação médica era para seu parto ser cesariano, mas recebeu a negativa, que os partos naquela maternidade são feitos normais, só casos de grande gravidade e que são cesarianos.

Querliane dos Santos passou mais de 12 horas sofrendo dores e sangrando, as 9 h da manhã da quinta-feira (30), o desespero tomou conta das companheiras de enfermaria que também aguardavam para dar a luz, quando começaram a questionar a forma que estava sendo tratada a gestante, em função a manifestação de descontentamento generalizado, as enfermeiras resolveram levar Querliane para a sala de parto, mesmo observando que a mãe estava apenas com 8 centímetros de dilatação do útero, onde o normal seria 10 centímetros, as enfermeiras plantonistas resolveram sem a anuência e a presença da médica obstetra que estava de plantão Dra. Lana, a iniciarem o procedimento de parto normal.

A gestante Querliane dos Santos apelou e chegou a pedir pelo amor de Deus, que não fizessem aquilo, porque seu parto não poderia ser normal e sim cesariano, uma enfermeira disse textualmente “deixa de ser fraca, seu parto vai ser normal”, acabamos de ouvir o coração de seu bebê, esta tudo bem com sua criança, já ele estará nos seus braços.

Foram momentos tortura e dor, que a gestante foi submetida, sem nenhuma defesa ou pedido de socorro, as enfermeiras estavam obrigando a mulher a fazer força para colocar o bebê pra fora, seus braços e barriga estão cheios de hematomas, mas tudo em vão, a mulher apelava aos prantos, que seu filho tinha que nascer cesariano, através de cirurgia, mas as enfermeiras que a gestante não sabe os nomes, tentaram a toda força retirar o seu bebê, inclusive suas partes íntimas foram completamente rasgadas, “eu senti as mãos das enfermeiras dentro do meu útero”, esclareceu Querliane.

Absurdo – Após quase uma hora que as três enfermeiras tentavam o impossível, observaram a passagem de um enfermeiro no corredor, sendo chamado para auxiliar no parto, sem terem mais o que fazer, as enfermeiras pediram ao enfermeiro que subisse no peito da paciente e empurrasse a barriga da gestante para baixo, para que de qualquer maneira o bebê fosse cuspido para fora, mas o enfermeiro negou-se a participar daquele parto e fazer este tipo de procedimento, saindo da sala de parto, as enfermeiras já do desespero chegaram ao cúmulo de forçar o rompimento da bolsa com um bisturi, tudo em vão, antes mesmo de Querliane desfalecer em função as dores e o sangramento, as enfermeiras resolveram acionar a médica Lana, que ao chegar ao local, ficou surpresa pela atitude negligente das enfermeiras, que sem autorização ou mesmo acompanhamento, iniciou o procedimento de parto, e mesmo com os muitos apelos da mãe gestante que apelava pela cesariana, tentaram fazer um parto normal, sendo impossível o parto em função a criança estar sentada no útero da mãe, sendo impossível o nascimento através de parto normal.

Imediatamente a médica tentou ouvir o coração da criança, que já não batia mais, e em caráter de urgência encaminhou Querliane dos Santos para a mesa de cirurgia para retirar através de cirurgia cesariana a criança natimorto do ventre da mãe.

Desespero – Como a mãe vivenciou toda a tortura contra ela e seu bebê, e viu sua criança ainda em seu ventre ser morta, apela à justiça, e que as enfermeiras, sejam responsabilizadas e punidas pela negligência cometida nos eu parto, inclusive que o Conselho de Enfermagem investigue esta denúncia e cassem a licença destas profissionais “carniceiras” e que mancham o trabalho dos grandes profissionais. Querliane dos Santos foi bastante direta em esclarecer que a médica Lana não tem nenhuma culpa nestes procedimentos e sim as enfermeiras que mesmo sendo orientados pela gestante que seu parto foi trabalhado para ser cesariano, decidiram fazer normal, segundo a parturiente, eles alegavam ser determinação da secretaria de saúde, que os partos da rede básica de saúde têm que ser obrigatoriamente normais.

Após o fato ocorrido, as outras pacientes mães que estavam em trabalho de parto, foram todas para cirurgia cesariana, nenhuma após aquele episódio teve os procedimentos de parto normal adotado, pelo menos enquanto a paciente estava internada.

Polícia - O pai João Luís Magalhães ainda sofrendo pela perda de seu filho que se chamaria João Vitor procurou a Seccional e Tucuruí e registrou ocorrência, pedindo que a polícia investigasse os procedimentos “desumanos” adotados dentro do hospital maternidade da prefeitura de Tucuruí, onde as mães procuram o local para dar a luz aos seus filhos, e no local onde deveria funcionar uma maternidade as enfermeiras estão transformando em um “matadouro público”.

O corpo da criança natimorto João Vitor foi necropsiado pela equipe do IML, e após 30 dias será expedido laudo das causas da morte.

A paciente Querliane dos Santos denunciou ainda que a direção da maternidade proibiu que as gestantes tivessem acompanhamento familiar, para que possam fazer estas “arbitrariedades” e fiquem livres para cometerem estas “negligências”, segundo a paciente, as internas não recebem alimentação, não tem material de higiene nos banheiros, as macas estão todas sem colchões e lençóis, muitas das pacientes ficam jogadas no chão completando o círculo de dilatação para serem levadas para a “tortura” no local do parto, medidas tem que serem tomadas urgentes, não adianta o Ministério Público do Estado e Federal fazerem visitas rotineiras, que as enfermeiras obrigam as internas a não falarem nada, com risco de ficarem abandonadas com dores nas macas da maternidade.

Providências tem que serem tomadas pela gestão municipal e pelo diretor do Hospital regional de Tucuruí, que também tem culpa pela cessão da ala do hospital do estado para alojar a maternidade municipal, haja vista, avaliando os índices dos números de nascimentos ocorridos no último ano, o índice de mortes já chega próximo a 30 % do número de nascimentos, algo muito errado esta ocorrendo dentro da maternidade municipal de Tucuruí.

A reportagem tentou por diversas vezes contatos com a administração da Maternidade e não foi recebida, a direção do Hospital Regional passa por modificações e não tem ninguém respondendo pelo cargo, e até o fechamento desta edição não foi encontrado a escala com os nomes das enfermeiras que estavam de plantão e foram denunciadas como suspeitas de negligência no atendimento da parturiente. 




2 comentários:

  1. ISSO É TERROR,MEU DEUS ATÉ ONDE ISSO VAI CHEGAR? CADE AS AUTORIDADES DESSA CIDADE? CHEGAR DE TANTAS MORTES POR NEGLIGÊNCIA MEDICA! MEU IRMÃO MORREU AI NO REGIONAL POR NEGLIGENCIA MEDICA TAMBÉM,ATÉ HOJE ESPERAMOS POR JUSTIÇA! VAMOS GRITA POR SOCORRO ISSO NÃO PODE MAIS CONTINUAR ASSIM!!

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  2. o ministerio publico passar por tec,de enfermagem e ver como os medicos agem, eles não querem trabalhar só querem receber os milhões e pronto, eles são muito preguiçosos e fica botando culpa nos enfermeiros.

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