Pesquise as matérias do JT:

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Moradia: Sem saída, os 167 moradores da Vila Tocantins ocuparam a agência da Caixa e conseguiram a suspensão do leilão









WELLINGTON HUGLES
De Tucuruí
Foto: Wellington Hugles

Os mais de mil moradores do residencial Vila Tocantins localizado entre os bairros do Getat e Nova Conquista, em Tucuruí, sudeste paraense, desde o dia 30 de janeiro deflagraram inúmeras manifestações de descontentamento contra a Caixa Econômica Federal, que no ano de 1993, financiou a construção de 167 unidades habitacionais de 30 metros quadrados, a empresa ganhadora da licitação iniciou a construção da casa e não as finalizou, abandonando todas inacabadas, passado três anos das casas fechadas sem nenhum interessado na aquisição, haja vista, o tamanho da casa inadequado e o valor exorbitante, a área onde algumas casas foram edificadas em 1992 pertencentes a Caixa, mas os moradores alegam que há época, foram orientados a ocupar as casas e a área pela direção do banco após a construtora ter abandonado a obra que era financiada pela CEF.

Com isso, a população resolveu realizar a ocupação, passado 15 anos de moradia nas casas, que na grande maioria foram totalmente remodeladas e ampliadas, a Caixa Econômica Federal, através da Superintendência do Pará, resolveu unilateralmente colocar a venda as 167 unidades habitacionais, que fazem parte do patrimônio do banco, mas em nenhum momento ouviu, comunicou ou mesmo esclareceu aos atuais ocupantes das unidades habitacionais, que na próxima segunda-feira (10), estaria ocorrendo o leilão para venda direta aos interessados das casas, ora ocupadas pelos moradores a mais de 15 anos.

É fato, que a Caixa está dentro do que determina a lei, mas é importante esclarecer aos proponentes da aquisição destas moradias, que terão a responsabilidade de judicialmente impetrarem ação de despejo dos atuais ocupantes das casas, ou seja, a Caixa vai vender a casa, tendo o lucro e os novos compradores terão a “do de cabeça” de tirar os ocupantes, que alegam em suas defesas, terem seus direitos adquiridos aos longos destes 15 anos de moradia e todos os investimentos já efetuados com obras de ampliação e construção das casas no local onde existia apenas uma pequena unidade de moradia, hoje o bairro que foi habitado, comporta uma população de mais de mil habitantes, com comércios, lojas e casas que atualmente estão avaliadas em mais de R$ 100 mil.

O vereador Cleuton Marques (PR), que está dando orientação jurídica aos manifestantes, esclareceu que, “a situação não é muito fácil de ser resolvida de imediato, mas é possível entrar em acordo com o dono da área e evitar o despejo coletivo. Estou de posse do processo e ainda não temos um posicionamento. O que sabemos é que há anos esse problema vem se arrastando e mais de 1 mil pessoas podem perder tudo do dia para a noite. E isso nós não podemos admitir. A questão é humanitária”.

A população desesperada realizou diversas caminhadas pelo bairro, inclusive foram por duas vezes a prefeitura da cidade em busca de apoio, mas receberam a orientação que o imbróglio teria que ser resolvido através da Caixa Econômica, órgão do governo federal.

Em virtude a esta orientação, foi provocada uma reunião da Comissão de Moradores da Vila Tocantins com a Superintendência da Caixa, em Belém, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (5), e após a explanação dos motivos que os moradores alegavam para suas permanências nas suas moradias, propondo ainda a ampliação do programa “Minha Casa Minha Vida” como forma compensatória para a quitação dos terrenos que estão edificadas as residências das 167 famílias, mas a determinação da Superintendência da Caixa foi que não haverá possibilidades de composição e nem da revogação do leilão que ocorrerá no dia 10, e que os novos proprietários após a assinatura dos contratos já poderão acionar a justiça para impetrar ação de despejo dos atuais moradores para que possam ocupar o patrimônio adquirido de forma legal.

A comissão que teve o reforço com a participação do Engenheiro Midson César, retornou a Tucuruí e procuraram o Ministério Público Federal, para que pudesse intermediar medidas salutares ao impasse entre a Caixa e as 167 familiares de baixa renda que morar a mais de 15 anos no residencial Vila Tocantins, segundo os manifestantes, será questão de analise, para que o Procurador Federal tome uma posição.

Ocupação – Por volta das 14 h desta quinta-feira (6), desesperados com a ameaça da perda de seus tetos, mais de 200 moradores resolveram ocupar de forma pacifica o saguão onde ficam localizados os caixas eletrônicos da agência da Caixa de Tucuruí, e prometem só desocuparem a agência, com uma decisão que atenda aos moradores do bairro com a suspensão do leilão e a abertura de uma mesa de negociação para que a população possa ser ouvida.

Suely Santos Viana, 57 anos, moradora há 18 anos na Vila Tocantins, desabafa dizendo “votamos no Lula, na Dilma por entendermos que o povo tem voz e vez, agora, como é que o povo da Caixa não quer ouvir e nem negociar com a população, será que é por que somos pobres, mas são os mais humildes que pagam suas contas em dias”.

A Superintendência da Caixa acionou a comissão de moradores por volta das 17 h, para uma reunião na agência de Tucuruí, e anunciou a suspensão do leilão por tempo indeterminado, condicionando que fosse liberada a agência pelos manifestantes, na manhã desta sexta-feira (7), será realizada uma reunião com a comissão dos moradores e a Caixa em Marabá.


Um comentário:

  1. finalmente um jornalista de coragem! Wellington veja a possibilidade de aumentar a audiência
    dessa noticia pra ver se chega mais longe possível pra termos resposta masi breve

    ResponderExcluir