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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Caos na Saúde: Pacientes são transportados para Belém de forma desumana



















WELLINGTON HUGLES
De Tucuruí
Foto/Filmagem: Wellington Hugles


A cidade de Tucuruí, localizada no sudeste paraense, com uma população que ultrapassa os 100 mil habitantes, segundo o Censo de 2010, ostenta a posição de quinta maior cidade do estado em arrecadação financeira, beirando os quase R$ 17 milhões ao mês, sendo ainda o responsável pela gestão pactuada dos municípios do entorno do lago de Tucuruí, totalizando 7 municípios, recebendo mensalmente volumas quantias de recursos do governo federal e estadual para a saúde, além de ter alocado no Orçamento de 2014 o total de R$ 63 milhões para a manutenção da saúde básica de seus munícipes, e mesmo assim, o município passa pela maior crise no setor da saúde em toda a sua história, desde sua emancipação político administrativa em 1948.

Nos últimos cinco anos, a saúde municipal entrou em um colapso irreversível, culminando com a desaprovação das prestações de contas do governo municipal, desde o ano de 2009 até hoje, sendo rejeitado por unanimidade dos membros do Conselho Municipal de Saúde, órgão fiscalizador da aplicação dos recursos, sendo identificadas inúmeras irregularidades, que já foram denunciadas ao Ministério da Saúde, e que substanciaram processos administrativos com recomendações de restituição dos recursos utilizados de forma irregular aos cofres públicos.

O Hospital Municipal da cidade foi fechado em 2010, para reformas que nunca foi licitada. A Maternidade Municipal foi transferida para dentro de uma ala do Hospital Regional de Tucuruí responsável pelo atendimento de média e alta complexidade, pelo período de 90 dias, e já entrou em seu quarto ano dentro do HRT, trazendo transtornos irreversíveis ao bom andamento do hospital estadual.

Os Postos de Saúde da Família (PSF) nos bairros, na sua grande maioria entraram em reformas, e passado três anos, não voltaram a funcionar, por falta de recursos para o pagamento dos empreiteiros.

E como diz um famoso ditado popular, “tudo que esta ruim, só tende a piorar”, os últimos acontecimentos no atendimento emergencial aos pacientes, que necessitam de socorro urgente através das ambulâncias do 192 da prefeitura, está um caos generalizado, nos últimos dias, uma ambulância que transportava um paciente para o HRT, quebrou no meio da viagem na BR 422, foi necessário passar o enfermo para um veículo particular que passava pelo local para completar o socorro.

Transporte clandestino - Novamente uma situação de desgoverno envolvendo o serviço de ambulância foi registrada na noite desta segunda-feira (10), dois pacientes que estavam internados no Hospital Regional de Tucuruí há dias, e necessitavam ser transferidos para clínicas especializadas da capital, uma senhora que está com pedras na vesícula e uma criança de apenas 2 anos, que teve a confirmação que está com leucemia aguda, necessitavam serem transportados com urgência para Belém, onde vão tentar as filas nas portas dos hospitais para seus atendimentos, haja vista, não terem a confirmação de internação através da regulação do estado.

Como o Hospital Regional de Tucuruí se eximiu da responsabilidade do transporte dos pacientes, por não ter mais nenhuma ambulância, que também foram sucateadas e encontram-se nas oficinas da cidade e em uma área de sucata da prefeitura, buscaram a responsabilidade da prefeitura que recebe os recursos do Tratamento Fora de Domicilio (TFD), sendo a obrigação da prefeitura a garantia do transporte dos pacientes para outras localidades.

Por volta das 20 h, uma ambulância totalmente sucateada, que não tem as mínimas condições de realizar uma viagem para Belém, chegou à porta do HRT para conduzir, em um só “frete”, os dois pacientes, e o que é pior, sem os mínimos equipamentos obrigatórios em seu interior, contando apenas com colchões jogados na carroceria do furgão.

Como os dois pacientes estavam em tratamento especializado, os medicamentos tinham que serem feitos dentro dos horários prescritos pelos médicos, mas a prefeitura não disponibilizou um enfermeiro para acompanhar os pacientes e fazer a medicação.
A equipe médica do HRT não liberou os pacientes sem a presença de um enfermeiro para seguir viagem, só por volta das 22 h, chegou uma enfermeira para acompanhar os enfermos durante a viagem.

A sucateada ambulância saiu de Tucuruí distante 400 km de Belém para levar os dois pacientes com a graça e a proteção de Deus.

Esta é a situação de caos que atravessa a saúde pública em Tucuruí, dentro de um furgão, sem nenhuma ventilação viajou cinco pessoas deitadas no chão, inclusive, a porta traseira da ambulância é fechada com uma corda amarrada, e para piorar o veículo de placas JUV 0153, está atrasado com sua documentação junto ao Detran, desde o ano de 2010, mas mesmo assim o Secretário de Saúde de Tucuruí Charles Tocantins, autorizou o veículo para este “frete lotação” a capital, colocando em risco os pacientes, seus acompanhantes, a enfermeira e o motorista, haja vista, a ambulância não esta em condições de tráfego por questões mecânicas e por falta de documentação legal.

Esta é a triste realidade vivenciada pela população da cidade da energia, que mesmo com milhões de reais que entram nos cofres da prefeitura, ficam a mercê de seus governantes que nada fazem em prol da saúde da população que confiou seu voto nas últimas eleições.

Os pacientes chegaram a Belém por volta das 5 h da manhã desta terça-feira (11), a paciente que necessitava de cirurgia das pedras na vesícula, foi deixa na porta do Pronto Socorro da 14 de Março, mesmo sabendo que os anestesistas estavam paralisados, para tentar a sorte de ser atendida.

Lenilda Trindade Pinto, juntamente com seus esposo e o filho de 2 anos, foram deixados na área da casa de apoio no bairro do Guamá, que encontra-se em reforma desde o mês de novembro do ano passado, e esta sem condições de receber pacientes, mas foram forçados a ficarem ao relento com a criança enferma, haja vista, que o encaminhamento para o Hemopa, de nada serviu, pois o Hospital de Tucuruí deveria ter encaminhado os resultados dos exames originais juntamente com as lâminas para serem novamente periciados, e se constatada que a criança está com leucemia providenciar o internamento, em função disso, a família ficará aguardando a chegada de uma lâmina que foi recuperada na clínica que realizou o exame, para poder ser tomada as medidas necessária a internação da criança no Hospital de Referência Ophyr Loiola. É fato, que em Tucuruí os responsáveis pela Saúde da população apenas transferiram as responsabilidades dos dois pacientes para Belém, e que dependendo do desempenho dos familiares os pacientes terão oportunidade de um atendimento humanizado.

A reportagem tentou contato com o Secretário Charles Tocantins e com sua equipe de trabalho, mas nenhuma ligação foi atendida, foi acionada ainda a assessoria de comunicação do prefeito Sancler Ferreira (PPS), que informou em função da prefeitura estar de recesso administrativo desde o último dia 20 de dezembro até o dia 15 de fevereiro, só após o retorno das atividades é que será encaminhada uma nota de esclarecimento sobre este assunto. 


A coordenação regional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou que até o momento o telefone do serviço de urgência 192, ainda está acoplado com o atendimento social do município, e que está ambulância em evidência e de responsabilidade da Secretaria de Saúde de Tucuruí, mas que futuramente o número 192 será exclusivo para atender a regional do Samu de Tucuruí, que coordena o serviço de urgência dos municípios de Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Tailândia, Novo Repartimento e Jacundá.

2 comentários:

  1. E triste ver uma situação dessa. Pois quando nosso gestor municipal foi fazer os implantes de seus cabelos ele foi de avião, será se ele teria coragem de ir em uma ambulância dessa? caros companheiros de Tucuruí, só gostaria de pedir a todos vocês que lembre se quando nossos amigos políticos Tucuruienses verem em nossas casas pedirem nossos desvalorosos votos, que seja para eles ou para os da mesma panelinha. Pois nem todos os vereadores estão participando desse maravilhoso bolo, e sim apenas os que concordam com os descasos que esta acontecendo em nossa cidade, por parte de nossos políticos.

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  2. Enquanto são gastos mais de um milhão de reais em carnaval, o povo que precisa dos serviços públicos de saúde fica à mingua. Se essa corja de políticos safados e corruptos ou seus familiares necessitassem usar esses serviços, quem sabe esse quadro não mudaria?

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