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sábado, 6 de agosto de 2016

Derrocamento do Pedral é fundamental para o Pará






São 43 quilômetros que farão toda a diferença na economia e no desenvolvimento do Pará. As obras do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins, próximo de Marabá, esperadas há décadas, começam a se tornar realidade e são fundamentais para consolidar o Estado como um importante corredor logístico para o escoamento da produção nacional para o mercado mundial. Segundo estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), somente a abertura do trecho poderá ajudar na exportação de até 20 milhões de toneladas a mais de produtos até 2025. As obras estão previstas para iniciar em 2018.



Dados do Movimento Pró-Logística reforçam a importância do derrocamento para a retomada do polo de ferro-gusa em Marabá, além de impulsionar o agronegócio. Com a obra do Pedral, o setor produtivo deverá investir no plantio de áreas de 1,6 milhão de hectares no sudeste do Pará, que poderão produzir soja e milho para exportação, gerando emprego, renda e desenvolvimento. 




As embarcações circularão por uma extensão de 500 quilômetros entre Marabá e Vila do Conde, em Barcarena, durante o ano todo. Obras que, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), não correm o risco de serem adiadas.



FRONTEIRA



Além das novas fronteiras para o agronegócio e o setor produtivo do País, o derrocamento também poderá gerar aumento de competitividade e redução de custos. Elisângela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reforça que a obra é uma das mais esperadas pelo setor e pode diminuir em até 40% os gastos das empresas para exportar pelo Norte do Brasil. Hoje, 60% da produção de grãos estão concentradas nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste, mas apenas 20% escoa pelo Arco Norte.

“O Pedral é um pleito antigo porque a Hidrovia Tocantins é fundamental para reduzir os custos da Nova Fronteira Agrícola”, explica. “Hoje, dependemos muito do Sul e do Sudeste. E para chegar a esses portos, o modal rodoviário se torna o principal meio, porém torna o transporte muito caro”, garante Elisângela. Ela considera ainda que a eclusa de Tucuruí poderá operar a plena carga, algo que hoje não acontece, por conta do impedimento à navegabilidade na região.




A eclusa de Tucuruí foi inaugurada há 5 anos, com um investimento de R$ 1,6 bilhão, para que pudesse operar com a capacidade de permitir o transporte de até 40 milhões de toneladas ao ano pelas vias navegáveis da região. Hoje, sua movimentação é de 150 mil toneladas ao ano.

Preço e energia serão atrativos para novas empresas



Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), José Maria Mendonça destacou que a entidade, juntamente com as demais federações da Amazônia, criaram o “Programa Norte Competitivo”, onde mostraram o que tem de ser providenciado para viabilizar rapidamente o desenvolvimento do Estado. A obra do Pedral do Lourenço, diz ele, faz parte destas medidas solicitadas e agora acontece pelo resultado da luta de representantes da política local. “A obra é muito importante e ajudará o destravamento desta mesorregião”, diz.



O Pedral é o primeiro passo da viabilização da grande hidrovia Araguaia/Tocantins que colocará a safra agrícola do Centro-Oeste brasileiro nos maiores mercados do mundo a preços realmente competitivos, principalmente a partir de agora com a ampliação do Canal do Panamá. “Transporte barato e energia próxima e farta serão atrativos para que novas empresas se instalem na região”, explica Mendonça.



Edeon Vaz, diretor executivo do Movimento Pró-Logística destaca a vantagem competitiva que as obras do Pedral trará não só para o agronegócio, mas para o setor mineral. Para ele, é a oportunidade de retomada da indústria de ferro-gusa no Pará, onde o projeto da Aços Laminados do Pará (Alpa) foi iniciado pela Vale e posteriormente interrompido para, agora, anunciar sua retomada por meio da argelina Cevital. “ Agora, com a Cevital anunciando a retomada da Alpa, a indústria de ferro-gusa se tornará novamente competitiva na região. O polo de ferro-gusa precisa da hidrovia”, assinala o especialista.



Vila do Conde: porto de saída da produção local para o mundo



O que é DERROCAMENTO?


O derrocamento consiste em desgastar os pedrais que impedem a navegação de comboios de carga durante os meses de setembro a novembro, período em que o rio fica mais raso. Com 43 quilômetros de extensão, a obra de derrocamento irá propiciar a melhoria das condições de escoamento – pela hidrovia do Tocantins – de toda a produção mineral, agrícola e da pecuária sob sua área de influência, com destino ao porto e terminais localizados em Vila do Conde (PA) e no baixo Amazonas.


A expectativa é a redução do custo do transporte e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros no exterior, com integração aos modais ferroviário e rodoviário.

Com informações do Diário do Pará




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